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“Educa-se a musculatura masculina, fundam-se centenas de clubs esportivos para os homens, mas, se a mulher sai a campo para tomar parte em qualquer jogo, lá vêm os moralistas de chinó, sensualistas….. eles, que não podem ver uma perna de mulher sem ficarem excitados, lá vêm eles, os tartufos a berrar em nome da moral.

Em nome da moral praticam-se infinitas imoralidades!…”
 

Ercília Nogueira Cobra, feminista brasileira, 1924:

VIRGINDADE ANTI-HYGIENICA

PRECONCEITOS E CONVENÇÕES HYPOCRITAS

“this is my body, this is my software”

ORLAN

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Manifiesto del Arte Carnal
Definición: el Arte Carnal es un trabajo de autorretrato en un sentido clásico, pero con medios tecnológicos que son propios de su tiempo. Oscila entre la desfiguración y la refiguración.
Ateísmo: ¡Aclaremos, el Arte Carnal no es heredero de la tradición cristiana contra la que lucha! Agujerea su negación del “cuerpo-placer” y pone al desnudo sus lugares de derrumbamiento frente a los descubrimientos científicos. El Arte Carnal no es automutilación. El Arte Carnal transforma al cuerpo en lenguaje e invierte el principio cristiano del verbo que se hace carne en beneficio de la carne que se hace verbo. El Arte Carnal juzga anacrónico y ridículo el famoso “parirás con dolor”; como Artaud, desea terminar con el juicio de Dios; hoy día tenemos la peridural, y múltiples anestésicos y analgésicos. ¡Viva la morfina! ¡Abajo el dolor! Parir con sufrimiento es ridículo.
Percepción: De ahora en adelante puedo ver mi propio cuerpo abierto sin sufrir. Puedo verme hasta el fondo de las entrañas, un nuevo estadío del espejo. “Puedo ver el corazón de mi amante y su diseño espléndido no tiene nada que ver con los rebuscados simbolismos dibujados habitualmente”. “Mi amor, amo tu hígado, adoro tu páncreas, y el diseño de tu fémur me excita”. Libertad: El Arte Carnal afirma la libertad individual del artista y en ese sentido lucha también contra los aprioris, contra los dictámenes; por eso se inscribe en lo social, en lo mediático.
Enfoque: El Arte Carnal no está contra la cirugía estética, pero sí contra los estándares que ella vehiculiza y que se inscriben particularmente en las carnes femeninas, aunque también en las masculinas. El Arte Carnal es feminista, y eso es necesario. El Arte Carnal se interesa también por la tecnología de punta de la medicina y de la biología que ponen en cuestión el status del cuerpo y plantean problemas éticos.
Estilo: El Arte Carnal ama la extravagancia y la parodia, lo grotesco y los estilos dejados de lado, porque el Arte Carnal se opone a las presiones sociales que se ejercen tanto sobre el cuerpo humano como sobre el cuerpo de las obras de arte.
El Arte Carnal es anti-formalista y anti-conformista.

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Acabei de testemunhar o incêndio de uma casa de campo sem mais lugar, o tipo de casa desocupada que eu acho bonita, atrás de um terreno baldio no Largo da Ordem e atrás do Estacionamento do Rosário, na 13 de Maio. Uma casa entre, que eu, vendo de costas, demorei a reconhecer.

No mormaço embaixo do céu carregado, vi a secura de uma araucária ser engolida imediatamente. Havia celulares filmando o sacrifício, as ondas de fumaça de cores diferentes, o crepitar incessante, o incêndio emoldurado pela janela, mas a maioria dos telefones que vi sacados eram de trabalhadoras do prédio anexo, que saíram aos poucos, levando os bens da empresa. Elas ligavam para alguém. O único comentário revoltante que ouvi: “ele ainda está preocupado com a araucária”, quando alguém murmurou que ela não ia escapar. Foi só quando o teto da casa estava tomado em grandes ondas que o calor do dia se tornou mais vivo entre as testemunhas.

Entendi que a categoria de testemunha, que usam para falar do público na Inglaterra, faz alguma coisa pelo que buscamos com o teatro. Porque esse é o único motivo pelo qual as passantes interromperiam sua corrida comprometida sem precisar querer que isso valesse a pena. A pena deve ser exigida de nós, não do fogo. Eu escrevo como testemunha, inclusive aqui, mas senti que o que estava fazendo diante do incêndio não era assistir. O fogo é uma força tão terrível que exige um tributo, ainda que nosso tempo seja um tributo miserável.

O silêncio entrecortado entre nós era mais religioso do que o que presenciei quando, por infelicidade, minha vizinha do sexto andar jogou seu bebê pela janela na Voluntários da Pátria poucos anos atrás. Naquele dia, ouvi o grito emitido por uma criança de oito meses que caía, um som de incompreensão e medo, mas na rua havia julgamento e revolta. O fogo permite que continuemos sós e incomunicáveis em uma estranha comunhão, porque é só diante de uma força como essa, que ultrapassa qualquer noção de direito, que compartilhamos nossa incompreensão e nosso medo.

Na caminhada para casa, ouvindo as nuvens roncarem lentamente, fiquei desejando ser abençoada logo, ainda ao longo do percurso, sentindo que teria sido uma besteira levar um guarda-chuva comigo se soubesse que iria presenciar um incêndio.

 

Sabrina Lopes, 12/12/2011

“Michel Maffesoli [Du Nomadisme: Vagabondages initiatiques 1997] escreve sobre o mundo que todos habitamos nos dias de hoje como um territorio flutuante em que inidivuos frageis encontram uma realidade porosa. A esse territorio só se adaptam coisas ou pessoas fluidas, ambíguas, num estado de permanente transformar-se, num estado constante de autotransgressão. O enraizamento, se existir, só pode ser dinâmico: ele deve ser reafirmado e reconstituído diariamente- precisamente pelo ato repetido de “autodistanciamento, esse ato fundador, iniciático, de “estar de vigem,” na estrada. Depois de comparar a todos nós – os habitantes do mundo de hoje – aos nômades, Jacques Attali [Chemins de sagesse 1996] sugere que, além de viajar leves e ser gentis, amigáveis e hospitaleiros em relação aos estranhos que encontram em seu caminho, os nômades devem estar constantemente alertas, lembrando que seus acampamentos são vulneráveis e não têm muros ou fossos que impeçam a entrada de intrusos. Acima de tudo, lutando para sobreviver no mundo dos nômades, precisam acostumar-se ao estado de desorientação perpétua, a viajar por estradas de rumo  e tamanho desconhecidos, raramente olhando além da próxima curva ou cruzamento; eles precisam concentrar toda sua atenção no pequeno trecho de estrada que têm que vencer antes do escurecer.”

Zygmunt Bauman – Modernidade Liquida

http://www.ustream.tv/embed/recorded/18018230

Publicado em: 
http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1188729&tit=Teatro-Novelas-exibe-pesquisa-na-madrugada

Programação da Virada Cultural inclui 12 horas de peças com grupos iniciantes e experimentais

Publicado em 05/11/2011 | HELENA CARNIERI

Neste ano, a Virada Cultural, que começa hoje à tarde com inúmeras atrações musicais oferece também uma noite e uma madrugada inteiras de teatro – tudo de graça.

O Coletivo de Pequenos Conteúdos, mostra de peças curtas que reúne atores e atrizes profissionais iniciantes, teve edições nos últimos três festivais de Curitiba, e agora participa da Virada a convite da Fundação Cultural.

Banda mais bonita

Serão 12 atrações, começando às 18 horas com uma roda de samba no deque, para esquentar. Além dos dez espetáculos teatrais, haverá um pocket show com Luiz Felipe Leprevost e Troy Rossilho em que a vocalista da Banda Mais Bonita da Cidade, Uyara Torrente, deve fazer uma participação especial – depois de abrir o palco Ruínas, às 18 horas.

Muitos dos trabalhos cênicos que serão apresentados fazem parte de pesquisas dos grupos ou artistas, com o objetivo de formar uma linguagem própria. “Às vezes parece que somos novos demais para estar ao lado dos grupos tradicionais, mas temos uma pesquisa continuada, que não é só para montar espetáculo durante o festival”, explica o diretor da Cia. Transitória, Thiago Ignácio, que coordena o Coletivo.

A companhia Heliogábalus, por exemplo, apresenta às 5h30 Orlandox, trabalho que é a definição do “work in progress” – pesquisas contínuas que são trazidas a público aos poucos. O projeto de analisar a fundo o romance Orlando, de Virginia Woolf, sobre um jovem inglês que viaja à Turquia e um dia simplesmente acorda mulher já dura um ano e é registrado no blog https://orlandxemconstantinopla.wordpress.com.

Desvio para o Azul é uma leitura dramática da Acruel Companhia – a mesma que instalou uma gaiola de acrílico gigante pelas praças da cidade durante o Festival. O texto, de Ana Ferreira, começa com um diálogo realista, que aos poucos vai assumindo profundidades mais intimistas. “Essa é minha primeira experiência como diretora, e depois pretendo mostrar o trabalho no Festival de 2012”, revela Ana. A apresentação será às 21h.

Ela i Eu ou Nada que Transpareça, do Coletivo de Dois, é um exercício de metateatro, em que uma dupla ensaia uma peça sem conseguir levá-la adiante, porque o ator é muito ruim. “São 40 minutos de uma comédia com humor mais grosseiro, um pouco trash”, explico o autor do texto e ator Dimis Jean Sores. Não teria como escolher adjetivos diferentes, já que a atriz interpreta uma célula cancerígena e lá pelas tantas há um braço decepado, com sangue jorrando. Em cartaz às 20h e 4h.

Café da manhã

Quem resistir até o fim da mostra será recompensado com um café da manhã, lá pelas 6 horas do domingo, durante o qual a companhia Heliogábalus fará uma performance relacionada ao Dia dos Mortos mexicano.

* * * * *

Serviço

– Mostra Coletivo de Pequenos Conteúdos.
– Teatro Novelas Curitibanas. Rua Carlos Cavalcanti, 1.222 – São Francisco.
– Das 18h de sábado às 6h de domingo.
– Entrada franca.

Veja a programação completa da Virada Cultural no Guia da Gazeta do Povo.

Acompanhe a cobertura em tempo real da Virada Cultural em
www.gazetadopovo.com.br/blog/blogdocadernog

desjejum glorioso & performático.

entrada grátis, estacionamento grátis, entradas grátis.

na virada cultural, no coletivo pequenos conteúdos, no teatro novelas curitibanas CINCO E MEIA DA MANHÃ do dia 06/11:

rua carlos cavalcanti 1222, são francisco, curitiba.

Mostra Cena Breve

21 de Outubro (seção às 19 e às 21)

programação completa:  http://www.ciasenhas.art.br/MostraCenaBreve2011/programacao.html

fotos: Alessandra Haro

Meus pés aterrados sentiam tremer o chão da arquitetura sacro restauro-instaurada. O seminário ressignificado. O órgão eletrônico – traços de uma colonização voraz e fiel – era o som corporeificado, jesuíta catequista em uma nova igreja, impondo seus próprios timbres em uma ameaça súbita de derrubar tudo, transformar em mais uma ruína. Nossa Senhora entoava o canto ode, o canto réplica, o canto repulsa, o canto castrador, que hipnotizava, que sustava o tempo. Tempo suspenso e refletido pelos vitrais da capela, que recebem a unção e a devolvem – assim como nós.

Orlandx entra triunfal, lânguidx e lamacentx, como um animal caçado/caçador. Ocupa o espaço templo, divide o ambiente cenário, atrai o público ao mesmo tempo que o repele. As pessoas x amam e rejeitam, numa única sensação fusão, mas unaninemente se encantam, num fervor tão ardoroso que a energia tremuleia por dentro, e se mescla à nuvem vermelha de fumaça que não se dissipou e condensou no ar, num bloco maciço, como quem não quer se deixar romper, contrariando as leis de sua natureza – como orlandx.

Em meio à floresta artificial, oculta pela organicidade fake de todo o ambiente natural sagrado, Elisabeth é revelada, aos poucos, é capinada e sua terra fértil banha o chão por onde pisara Orlandx. Ela agora acolhe e é acolhida, instaura seu poder monárquico, mostra sua potência Isabelina. Orlandx flui, Orlandx escorre, ama e abandona, num ritual de passagem – ritual do abandono, que congela o eterno de Dona Isabel – imortalizada como Dorian Gray. Orlandx a pinta como supunha ser, e Isabel cai, enquanto elx triunfa na dança tropical – que homenageia e desdenha. Yma Sumac nos ecoa.

E o público nos segue, como hipnotizados pelos encantadores de cobra. Nos segue voraz e fielmente, até o último segundo, onde estouram em aplausos atônitos e assustados, tocados, horrorizados, mitificados, dividindo a energia que expandia e ecoava pela arquitetura antiga, pelo seminário, pela instituição sacro-educativa-governamental.

Orlandx chora.

Amanhã, às 17h30, Orlandx fará uma aparição no I Congresso Internacional de Saúde Mental: a medicalização da vida. A programação está aqui:
http://eventos.unicentro.br/cis2011/index.php?menu=3