Arquivos para posts com tag: anotações de ensaios

arranquei um pedaço da cidade, eu segurei na minha mão, por tempo indeterminado, um pedaço de uma cerca de proteção.
eu esfreguei até suar a casca da árvore na minha pele, por tempo indeterminado, e mergulhei a cabeça na fumaça de um carro, de um passante, de uma pomba e respirei como uma baleia no cio, uma baleia seca que precisava da água de um chafariz.
Eu te observava enquanto me observava conquistar uma nova porção de terra, que era uma nova porção de ouro naquele momento específico.
Correr como crianças selvagens era diluir o foco dos moribundos humanos que nos atravessam em seu trajeto diário pela praça. Uma rotina invísivel e incostestável era traçada entre nossos dentes. E você me atravessa como estaca fincada, para dominar e diluir o que ainda restava de mim. As fontes que jorram são facilmente manipuladas quando você se torna o próprio líquido que dela sai.
As salivas e as serpentes afundam.

ORLANDX[é uma palavra de terror, um grito de conquista, palavra chave, maldição bárbara, abre portais.
Os corpos se fundem e se organizam de uma terceira fórma, não passam por caminhos já percorridos, Orlandx encaixa e desencaixa-se, deita na relva, dança no caos, desorganiza o meu olhar – sumo aos olhos do voyeur, esfumaço o espaço. Truque de magia barata, sou um mágico de rodoviária. Dança cósmica de beberronas vulgares. Meu hálito te toca, te envolvo em minhas brumas, fundo toda a matéria. Uma das partes sumiu, escorreu pelas minhas mãos, diluiu-se no pó da criação. Cravo minha bandeira no flanco da terra. Pés ao alto serpenteando um play ground declaram: A cidade foi o presente que um amante milionário me deu!
Serpentes dormem na beira dos rios, sob pedras.]

Estou disposta a entregar meus títulos, meus protocolos para essa mulher que usa calças masculinas. Ela ri dos títulos, dos protocolos. Quando ouço alguém dizer que é toda coração, penso: “é russa”. Corações se aquecem ao ver as pessoas morrerem de frio.
Estou disposta a entregar meus títulos, meus protocolos, a essa mulher que é toda coração. Porque ela ri deles.
Sou um pequeno príncipe que não sabe amar uma mulher, mas uma rosa.
Rosas são mudas. Raposas são inocentes. O sangue das galinhas derretendo a neve.
O exército branco não resistiu ao vermelho. Cantam os bolcheviques.
Seu coração se aquece ao ver um marinheiro gostoso. Ele não conhece títulos, não conhece protocolos. Não é digno de casamento.

Elizabeth é um território em constante construção. Há uma infinidade de servos, partes do seu corpo múltiplicado, escravos. Uma máquina que jamais para enquanto vive. Cada movimento, ação, ato necessita de auxilio, mas isto não a  torna mais frágil.

IMPOTENCIA +  REALEZA

– Cavalos

– Banho

– Alimentação

– Montagem (sistema para falar, declarações a Orlando)

– Amparo das partes que caem (pelhancas, rugas, pedaços, membros)

– Abertura dos olhos terríveis

– Sensualização Ciborgue

I

Na carcaça: fragilidade, potência e um último suspiro monarca de uma Rainha Máquina repleta de passado e memória. O mundo é meu jogo,a Inglaterra minha Jóia. Caminha e abre linhas com os pés pequenos, retorcidos, e firmes

desenha ferrovias infinitas, ultrapassa fronteiras, navega e devasta

lança a primeira pá de carvão e gira engrenagens,

Tentáculos tudo abraçam, mil olhos brotam, línguas tudo provam.