“Michel Maffesoli [Du Nomadisme: Vagabondages initiatiques 1997] escreve sobre o mundo que todos habitamos nos dias de hoje como um territorio flutuante em que inidivuos frageis encontram uma realidade porosa. A esse territorio só se adaptam coisas ou pessoas fluidas, ambíguas, num estado de permanente transformar-se, num estado constante de autotransgressão. O enraizamento, se existir, só pode ser dinâmico: ele deve ser reafirmado e reconstituído diariamente- precisamente pelo ato repetido de “autodistanciamento, esse ato fundador, iniciático, de “estar de vigem,” na estrada. Depois de comparar a todos nós – os habitantes do mundo de hoje – aos nômades, Jacques Attali [Chemins de sagesse 1996] sugere que, além de viajar leves e ser gentis, amigáveis e hospitaleiros em relação aos estranhos que encontram em seu caminho, os nômades devem estar constantemente alertas, lembrando que seus acampamentos são vulneráveis e não têm muros ou fossos que impeçam a entrada de intrusos. Acima de tudo, lutando para sobreviver no mundo dos nômades, precisam acostumar-se ao estado de desorientação perpétua, a viajar por estradas de rumo  e tamanho desconhecidos, raramente olhando além da próxima curva ou cruzamento; eles precisam concentrar toda sua atenção no pequeno trecho de estrada que têm que vencer antes do escurecer.”

Zygmunt Bauman – Modernidade Liquida