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Acabei de testemunhar o incêndio de uma casa de campo sem mais lugar, o tipo de casa desocupada que eu acho bonita, atrás de um terreno baldio no Largo da Ordem e atrás do Estacionamento do Rosário, na 13 de Maio. Uma casa entre, que eu, vendo de costas, demorei a reconhecer.

No mormaço embaixo do céu carregado, vi a secura de uma araucária ser engolida imediatamente. Havia celulares filmando o sacrifício, as ondas de fumaça de cores diferentes, o crepitar incessante, o incêndio emoldurado pela janela, mas a maioria dos telefones que vi sacados eram de trabalhadoras do prédio anexo, que saíram aos poucos, levando os bens da empresa. Elas ligavam para alguém. O único comentário revoltante que ouvi: “ele ainda está preocupado com a araucária”, quando alguém murmurou que ela não ia escapar. Foi só quando o teto da casa estava tomado em grandes ondas que o calor do dia se tornou mais vivo entre as testemunhas.

Entendi que a categoria de testemunha, que usam para falar do público na Inglaterra, faz alguma coisa pelo que buscamos com o teatro. Porque esse é o único motivo pelo qual as passantes interromperiam sua corrida comprometida sem precisar querer que isso valesse a pena. A pena deve ser exigida de nós, não do fogo. Eu escrevo como testemunha, inclusive aqui, mas senti que o que estava fazendo diante do incêndio não era assistir. O fogo é uma força tão terrível que exige um tributo, ainda que nosso tempo seja um tributo miserável.

O silêncio entrecortado entre nós era mais religioso do que o que presenciei quando, por infelicidade, minha vizinha do sexto andar jogou seu bebê pela janela na Voluntários da Pátria poucos anos atrás. Naquele dia, ouvi o grito emitido por uma criança de oito meses que caía, um som de incompreensão e medo, mas na rua havia julgamento e revolta. O fogo permite que continuemos sós e incomunicáveis em uma estranha comunhão, porque é só diante de uma força como essa, que ultrapassa qualquer noção de direito, que compartilhamos nossa incompreensão e nosso medo.

Na caminhada para casa, ouvindo as nuvens roncarem lentamente, fiquei desejando ser abençoada logo, ainda ao longo do percurso, sentindo que teria sido uma besteira levar um guarda-chuva comigo se soubesse que iria presenciar um incêndio.

 

Sabrina Lopes, 12/12/2011

Me senti envolvida por tudo que te envolvia, como se eu me envolvesse junto. Senti vontade de gritar quando vi o teu prazer, porque o prazer também era meu. Cravei nossa bandeira erótica na árvore e saímos correndo pra guerrear e territorializar a praça muito bem ocupada por nós, como devíamos e queremos fazer sempre, mas nem sempre fazemos.

O levante é a possibilidade de viver com toda nossa potencia, por um momento fugaz, sem que nenhuma criatura, instituição ou coisa guardiã da ordem nos impeça. Viver com toda potência sem permitir que esse mal nos deserotize. Territorializamos, ocupamos, erotizamos com tudo que podíamos, e fomos embora, sem saber como ficou o lugar depois de tudo. Mas sabemos dos nossos corpos, completamente territorializados pela praça Santos Andrade, por orlando, por sasha, por nós.

Tinha gente vendo. Estávamos com roupas cotidianas, fazendo coisas extraordinárias, se lambuzando com a fonte e mostrando muito amor. Fomos emocionantes. Alguns pensaram que éramos loucos. Um cara nos perguntou se era ensaio. Não queríamos que fosse. Adoramos o fato de isso ser confundido com o real, porque não é confusão, é fato. A arte aqui funciona como justificativa da loucura. Então no nosso caso parece que somos loucos e usamos a arte como pretexto pra viver do jeito que queremos, que impulsionamos. Loucos reconhecidos como artistas, já que para nós a nossa prática, entendida socialmente como prática artística, é uma possibilidade de viver nosso ideal. É a possibilidade de ocupação, de transbordamento, de transpassamento, de transgressão de gênero, de erotismo, de mutação, de embrenhamento, de rasgação.

imagens da primeira mostra de processo

esta é a minha vitória

Foto: Paulo Scarpa

http://www.flickr.com/photos/pauloscarpa/sets/72157626235136583

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isso serve para: cada coisa entre vírgulas tem referência de página, se alguém quiser. minha edição é da nova fronteira, mas é a mesma tradução do círculo (Cecília Meireles) e deve ter um esquema pra equiparar páginas.